Advogado questiona tradução em depoimento de piloto sobre acidente

01/04/2011 08:53

 

Advogado questiona tradução em depoimento de piloto sobre acidente
 

Joseph Lepore falou à Justiça durante sete horas por videoconferência.
Ele e Jan Paul Paladino pilotavam jato que bateu em 2006 em avião da Gol.
 
 

O advogado Theo Dias, que defende os pilotos norte-americanos envolvidos no acidente com o avião da Gol, questionou a tradução do depoimento de Joseph Lepore, realizada nesta quinta-feira (31). Lepore está em Nova York e falou à Justiça brasileira por videoconferência. O depoimento durou cerca de sete horas, tempo aproximado do depoimento de Jan Paul Paladino.

Lepore e Jan Paul Paladino pilotavam o jato Legacy, que colidiu com o avião da Gol em 29 de setembro de 2006. A aeronave caiu e provocou a morte de 154 pessoas. Na quarta-feira (30), Paladino já tinha respondido às perguntas do juiz federal Murilo Mendes, que está em Brasília, também por videoconferência. Eles são acusados pelo crime de atentado à segurança do tráfego aéreo brasileiro.

Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal do Distrito Federal, as reclamações do advogado sobre a tradução ocorreram depois que o juiz fez uma pergunta sobre um mecanismo de segurança. Para Dias, o tradutor não compreendeu o sentido da frase que Lepore disse.

Ainda segundo a assessoria, as parte logo chegaram a um acordo e o depoimento prosseguiu sem problemas.

Para o depoimento de Lepore, o juiz manteve basicamente as mesmas perguntas feitas a Paladino. Ele questionou a experiência do réu como piloto e os procedimentos de segurança durante voos internacionais.

Andamento do processo
Em janeiro, a Justiça Federal em Brasília ouviu depoimentos de três testemunhas, entre elas o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) na época do acidente.

Nesta terça-feira (29), o juiz federal ouviu o depoimento dos controladores de voo Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivaldo Tibúrcio de Alencar, em audiência realizada no auditório do Tribunal Regional Federal (TRF). Santos e Alencar trabalhavam na torre de controle de voo do Cindacta de Brasília, quando ocorreu o acidente aéreo. No processo, os dois respondem pelos crimes de omissão e negligência.

O crime prescreve em junho deste ano, mas o juiz Murilo Mendes disse que pretende sentenciar o caso ainda em abril.